Livro intitulado "Nuvens: poesias & prosa" é lançado no dia 06/12/2025
No dia 6/12/2025 (sábado), às 19h, na Câmara Municipal de Vereadores de Boa Vista-PB, foi lançado o livro póstumo ‘Nuvens: prosas e poesias’ (editora Grafep, 150 páginas, ISBN 978-65-01-63842-3), organizado por Rosa Amélia Vitorino Guimarães (irmã do falecido autor) e impresso em Campina Grande no mês de outubro/2025. Os textos selecionados foram escritos pelo poeta Joselito Pereira Vitorino (11/4/1964 – 3/5/2021) e disponibilizados pela família (viúva e dois filhos), sob anuência, para esta finalidade. Fui convidado para ser o revisor e prefaciador desta obra e, sob essa condição, fiz parte da mesa de honra formada, onde usei da palavra para fazer breves comentários em púlpito.
Lembro-me fielmente dos momentos longínquos em que, durante a adolescência, convivi com o autor deste livro em Boa Vista, então distrito municipal de Campina Grande-PB. Estávamos na segunda metade da década de 1980. Ele sempre foi parceiro de criações, versos, estrofes, sonetos e outras formas canônicas do mundo literário. Meu avô materno foi primo legítimo do seu pai, remontando nossa ascendência aos clãs Bernardino/Vitorino, provenientes de Guarita, distrito municipal de Itabaiana-PB. Essa familiaridade nos trouxe mais afinidades ainda.
Os anos se passaram com a força inexorável do tempo. Entre os anos de 2014 e 2016, ao produzir e dirigir o documentário ‘Os Trinta Poetas’, convidei Joselito Pereira Vitorino a gravar para esse registro audiovisual. Sua participação enriqueceu o acervo humano com uma poesia cheia de métrica e sílabas milimetricamente contadas e, enfim, sua imagem ficou imortalizada em um longa-metragem que foi oficialmente reconhecido pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE) como produto do cinema brasileiro, sob o nº B16-003830-00000.
Nesta seleta póstuma de teores prosaicos e poéticos, via de regra, enxerga-se, de início, o cuidado dos familiares em preservar os textos de Joselito P. Vitorino e, posteriormente, o zelo de sua mana em reavê-los, selecioná-los, organizá-los e publicá-los. Após essa constatação panorâmica, adentra-se nas entrelinhas para se entender o memorável poeta nas suas mais preponderantes facetas, ora percorrendo as terras díspares (secas e molhadas), Boa Vista (estado da Paraíba) e Parauapebas (estado do Pará), nas quais residiu e labutou, como observador natural do cotidiano e profundo crítico das realidades sociais, ora como viajor literal das ‘Nuvens’ em que pairam suas produções metafóricas, as quais são, variavelmente, pigmentos do imaginário colorido da própria lira.
A organizadora dos escritos aqui impressos teve um gesto de amor para com seu irmão Joselito Vitorino (carinhosamente apelidado de ‘Dode de Lita’), pois já nos alertava o literato boavistense Agassiz Almeida (in memoriam) sobre a improbabilidade de alguém da própria prole se interessar por nosso legado memorial. Mas eis que aqui, o improvável foi revertido em consentimento e reconhecimento. Aplausos e risos se confundem para o poeta Joselito tanto quanto para sua irmã, a escritora Rosa Amélia Vitorino – protagonista desta coletânea.
O título ‘Nuvens’ remete, quiçá, a um aglomerado dinâmico de ideias, palavras, versos, pensamentos, verbetes, reflexões, letras e demais possibilidades às quais a língua-mãe é capaz de nos conduzir. Cercado de reflexões conotativas nas quais a carne se faz verbo e o espírito se traduz em preto-no-branco, o escritor Joselito Vitorino discorre sutilmente sobre a maleabilidade do aparato linguístico, promovendo-se à posteridade e a uma factível imortalidade.
Dentre poemas efêmeros e prolixos, o dote de Dode se materializa. São temas vários nos quais sua verve se debruça. Quem ganha com tudo isso? Nós leitores, indubitavelmente. Assim, todos aqueles que folhearem essas páginas monocromáticas haverão de sentir os matizes multicoloridos de sua visão de mundo, sob a ótica singular da saturação literária. Enquanto isso, o autor, de aparência física caquética, mas de força filosófica hercúlea, rebenta nas outras dimensões celestiais uma satisfação excêntrica em ver, finalmente, seus manuscritos transformarem-se numa vertiginosa sensação editorial. E assim, ao passo que nos felicitamos com sua estreia livresca, parabenizamos todas as mãos que se estenderam em prol deste empreendimento pós-vida, mostrando que quando há união entre as nuvens, a chuva é inevitável e a fartura está garantida.
O falecido escritor era formado como técnico em eletrônica pela antiga Escola Técnica Redentorista (ETER), que funcionou como grande referência no ensino técnico pós-médio, por 43 anos (1975-2018), oportunizando ascensão social a milhares de jovens do compartimento da Borborema e de outros estados nordestinos. Joselito Vitorino trabalhou por 35 anos na Companhia Vale do Rio Doce, no estado do Pará, onde faleceu e deixou uma intrincada rede de amizades.
Texto: autoria de Roniere Leite Soares.
Biografia de Roniere Soares
Roniere
Leite Soares nasceu em Campina Grande (PB) em 26/12/1972, filho primogênito de
Ronaldo Vitorino Soares e Josefa Leite Soares (Dona Zefinha). Criou-se em Boa
Vista (PB), onde viveu até o dia em que completou 27 anos de idade. Nesse mesmo
dia, 26/12/1999, casou-se com Rossana Gouveia de Lacerda e migrou para Campina
Grande, onde fixou residência. No final de 1988, aos 16 anos incompletos, expôs
vários poemas na Escola Estadual Teodósio de Oliveira Lêdo, numa exibição
pública que se encerrou no início de 1989. Essa exposição artística
contabilizou 535 visitantes. Seu primeiro soneto foi publicado em 1989, cujo
título é "O Último Bovino Submarino", numa “Coletânea de Textos dos
alunos CAD” (Colégio Alfredo Dantas), organizada pela professora Eude Rocha, em
Campina Grande. Publicou 13 títulos cordelísticos. Roniere Soares também é
responsável pela impressão de partituras musicais nas contracapas dos cordéis,
enfatizando a aura musical que já é subjacente ao folheto, desde os primórdios.
A notação musical serviu para fixar uma melodia em torno da qual é construído o
texto poético.
No
campo da música atuou como clarinetista, diretor e maestro da Filarmônica
Municipal Bom Jesus dos Martírios (Boa Vista, 1986-2009); saxofonista da banda
Remelexo (Soledade-PB, a partir de 1996); requintista concursado, diretor
adjunto e regente interino da Filarmônica Epitácio Pessoa (Campina Grande,
2005-2012); condutor do Coral Esperança (grupo infantil de canto orfeônico -
Campina Grande, 2007); coordenador e regente do Grupo de Flautas Doce ‘Madeiras
de São José’ (Distrito de São José da Mata, 2023 [projeto de extensão
universitária via FUNARTE]); e gravou o CD-solo Sopran(d)o (Contr)Alto (Soprano
Alto), financiado pelo FUMUC – Fundo Municipal de Cultura de Campina Grande, em
2007, com músicas autorais interpretadas ao saxofone contralto Eb. Possui
100 composições tonais publicadas em plataformas nacionais e internacionais.
Pertence
à Ordem dos Músicos do Brasil (OMB-PB), com validade definitiva, inscrito sob o
número 0614 desde 06/02/2001 como saxofonista popular. Foi Suplente de Vereador
do Município de Boa Vista-PB, de acordo com o Diploma expedido pelo Juiz
Eleitoral da 72ª zona eleitoral, nas eleições proporcionais de 01/10/2000; Foi
aprovado em concurso público, com média final 8,13, para o cargo de músico
(Requinta Mib) da Filarmônica Municipal Epitácio Pessoa, da Cidade de Campina
Grande-PB, de acordo como foi divulgado no Jornal Diário da Borborema, do dia
10/04/2001, parte Especial, C2; Foi aprovado em 3º lugar no Concurso Público
para provimento de cargo efetivo de Professor Auxiliar I (edital nº 11, de
11/12/2003) da Universidade Federal da Paraíba (campus I), do Centro de
Ciências Humanas, Letras e Artes, no Departamento de Artes Visuais (João
Pessoa-PB), de acordo como foi publicado no Diário Oficial da União do dia
12/03/2004, seção 03, página 28; Foi aprovado em concurso público para o cargo
de Professor de Língua Portuguesa, da Prefeitura Municipal de Boa Vista-PB, de
acordo como foi publicado em Diário Oficial do Estado da Paraíba (João Pessoa),
página 14, coluna 2, do dia 27/Junho/2007; Foi sócio da Associação Campinense
de Artistas Plásticos (ACAP), Matrícula 011/06, cujo Presidente era, ao tempo,
o artista Arimarques da Silva Gonçalves; Foi Membro do Conselho Fiscal da ABEG
- Associação Brasileira de Expressão Gráfica (2011-2014); Foi associado no
Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado de Pernambuco – SINDIMUPE, desde
2012. É também sócio da ANACIM - Associação Nacional de Autores, Compositores,
Intérpretes e Músicos (Brasília – DF). Como designer e artista visual,
desenvolveu várias logomarcas, produtos industriais, troféus, brasões,
bandeiras, cartuns, charges, rosáceas, NFTs, desenhos artísticos a grafite e
uma série de pinturas acrílicas e a óleo.
Com
parceria firmada entre órgãos públicos e o Fundo de Incentivo à Cultura ‘Augusto
dos Anjos’, realizou três encontros estaduais de bandas filarmônicas civis, na
cidade de Boa Vista-PB, denominados de “falarmônicas” em: 02/05/2004,
30/04/2005 e 23/12/2007. Atualmente, atua como flautista freelancer,
arranjador, musicólogo e maestro convidado. Em 1998 produziu o filme
‘Surrealismo in Pintura’ (produção independente em fita VHS) e em 2016 lançou o
documentário ‘Os Trinta Poetas’ (reconhecido pela ANCINE como produto
videográfico do cinema brasileiro). A formação acadêmica de Roniere Soares é
composta das seguintes titulações: Bacharelado em Desenho Industrial (UFPB,
1995), Licenciatura Plena em Letras (UEPB, 2003), Graduação em Música
(Claretiano, 2021), Especialização em Composição Musical (Faculdade de Ciência
e Educação do Caparaó [Pós-graduação Lato Sensu - FACEC], 2023),
Mestrado Interdisciplinar em Ciências da Sociedade (MICS-UEPB, 2005),
Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciência e Engenharia de Materiais (UFCG,
2013) e Doutorado em Engenharia de Materiais (UFCG, 2019). Foi professor da
Escola Cenecista de Boa Vista (ECBV) das seguintes disciplinas: Educação
Artística, Inglês e Desenho Geométrico (1992-1998). Atuou como docente no
Centro de Educação Profissional Stenio Lopes e no CTCC Albano Franco (SENAI -
Campina Grande, 1998-1999). Professor de ‘Códigos, Linguagens e suas
Tecnologias’ na INFOGENIUS. Trabalhou na Escola Técnica Redentorista como
professor de Desenho Técnico, Informática, Português, Estatística Básica e Web
Design (Campina Grande, 1995-2012), por 17 anos. Professor concursado de
Língua Portuguesa da Escola Francisca Leite Vitorino, município de Boa Vista
(Regime estatutário - FUNDEB, 2009-2012).
Em
17/12/2022 foi eleito membro efetivo do Instituto Histórico de Campina Grande
(IHCG), onde ocupa a cadeira Nº 26, cujo patronato pertence ao maestro,
gramaticista e poeta Anézio Ferreira Leão. Em 2005 defendeu a dissertação
“Resquícios Cangaçais: um resgate memorial dos bandos anônimos”, orientado pela
Professora Dra. Geralda Medeiros Nóbrega. É conselheiro permanente e secretário
geral do Borborema Cangaço (Conselho Cristino Pimentel) desde dezembro/2023 e
sócio correspondente da ACVPB – Academia de Cordel do Vale do Paraíba
(março/2024). No contexto acadêmico, tem trabalho científico na área de
engenharia de materiais citado por cientistas russos da Kuban State
Technological University e por institutos de pesquisa da NASA (National
Aeronautics and Space Administration), além de outros pesquisadores
internacionais. Atualmente, de forma espontânea, dedica-se ao estudo das
tradições judaicas, às peculiaridades do Estado de Israel e ao aprendizado da
língua hebraica, bem como suas particularidades alfabéticas, numéricas,
espirituais e transliterais. Por fim, é um cristão convicto da Santíssima
Trindade. Atualmente é docente efetivo da UFCG, desde 02/04/2012, data em que
assinou o termo de posse. Sua maior atuação envolve as disciplinas da área de
desenho e expressão gráfica.
https://www.instagram.com/p/DWzl2kzkxCKkRiQnP1RvnicS2sN_1--DBohXFg0/




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